O que leva as empresas a praticarem o nearsourcing ou outsourcing na produção de software?
Em uma reunião com vários profissionais da área de engenharia de software, começamos a delinear alguns dos motivos que levam as empresas a contratarem as FÁBRICAS DE SOFTWARES dentro do contexto de nearsourcing ou outsourcing (offshore). Finalizada a reunião, compilei oito motivos:
1 – O projeto de software está organizado, neste caso é fácil terceirizá-lo.
Algumas empresas que desenvolvem software possuem um alto grau de organização nas atividades de modelagem de negócio e de projeto de software, os produtos gerados nestas atividades possuem um padrão organizacional estável e de relativa qualidade. Ao repassar tal projeto para codificação, a empresa em questão consegue ter um bom controle sobre o mesmo.
2 – Existem vários projetos em andamento e a empresa necessita focar alguns.
Neste cenário uma empresa de produção de software, possui alguns projetos organizados e outros que necessitam de um olhar “um pouco mais carinhoso”, pois estes últimos ainda não possuem o grau de organização desejável. Com base neste contexto, a empresa opta por focar seu poderio de fogo nos projetos que necessitam de “carinho” e terceirizam os projetos organizados.
3 – Terceirização da manutenção do legado.
A maioria dos softwares caracterizados como legado possuem uma deficiência tecnológica exorbitante. Todos nós sabemos que a atualização tecnológica das empresas é um dos motivos que levam ao comprometimento de seus colaboradores. Eu, particularmente, prefiro trabalhar com uma tecnologia emergente, e você? Um outro ponto que deve ser destacado é a ausência de profissionais qualificados que conheçam as tecnologias que permeiam a questão do software legado.
4 – Acredita-se que é possível reduzir e controlar custo aplicando o out ou o nearsourcing.
Toda atividade focada na verticalização, conduzida por uma organização especializada, tem como objetivo um maior controle de custo. Ao partirmos para a questão do outsourcing, a redução do custo fica ainda mais acentuada, principalmente, em países emergentes que possuem um menor custo de mão de obra. Lembrando, o Brasil é um país permeado pela questão do bodyshop.
5 – Falta de profissionais no momento do recrutamento.
Existe um grande abismo entre as necessidades do mercado e a formação dos estudantes na academia. Fato este agravado, ainda, pela questão mercantilista que permeia algumas universidades. A inexistência de programadores qualificados pode levar as empresas a terem que terceirizar parte da sua produção de código.
6 – O serviço não pode ser feito no prazo pré-estabelecido.
Várias empresas produtoras de software não possuem um processo de produção definido, este fato leva a erros de dimensionamento no escopo do projeto. Erros de escopo levam a atrasos no desenvolvimento de qualquer produto, principalmente àqueles caracterizados como software. Ao não dimensionar corretamente um projeto de software, as empresas, para atender os prazos pré-estabelecidos, vêm à necessidade de terceirizar parte da sua produção do código em um determinado projeto.
7 – Necessidade de transferência de conhecimento da contratada para a contratante.
Tanto o out como o nearsourcing podem contribuir para a transferência do conhecimento da contratada para a contratante. Alguns contratantes estabelecem, nos contratos, que terão profissionais locados na atividade de programação da contratada. Tais profissionais são treinados pela contratada e levam todo know-how adquirido com o desenvolvimento do projeto para a contratante.
8 – O contrato estabelece que à produção do código deve ser feita por uma empresa certificada.
Alguns contratos regem que a codificação deve ficar a cargo de uma empresa que possua alguma certificação de qualidade, por exemplo: MPS-BR, CMMI ou Moprosoft. Estes fatores levam alguns setores da contratante à desenvolverem todo o modelo de negócio e terceirizar a produção para uma empresa certificada. Já presenciei isto acontecendo em várias empresas do setor público.
Por fim, ressalto que o mercado ligado ao out e ao nearsourcing continuará aquecido por um bom tempo, basta que contratante e contratada saibam surfar esta onda. Lembrando que tanto a contratada como a contratante devem ter um processo organizado para entrar neste contexto.
August 13, 2008 at 2:18 am
Também devemos considerar a questão do foco no desenvolvimento de software da empresa. No decorrer dos anos, algumas empresas cultivaram profundo conhecimento do seu negócio e transformaram esse conhecimento em um produto de software, no entanto, para que o produto seja “utilizável” faz-se necessário que o mesmo seja complementado com outras soluções de software que não fazem parte do foco da empresa, nesse caso, a empresa opta por um serviço outsource especializado no desenvolvimento da solução necessária para complementar o produto.
August 13, 2008 at 4:59 pm
Eu já trabalhei em uma fábrica de software e existe outro ponto que você não citou: A CONTRATANTE se dedica às regras de negócio, fica mais fácil para ela desenvolver uma camada de negócio pois é seu real foco de existência. A CONTRATADA tem maior skill, então fica mais ágil em cumprir prazos mais justos para colocar no mercado soluções em tempo de concorrer em melhor posição (o primeiro sempre tem a maior fatia).
August 13, 2008 at 9:02 pm
Guto, você tem dados sobre contratação de micro e pequenas empresas de software nesse segmento? Ou somente médias e grandes empresas estão nessa onda? Um abração.
August 23, 2008 at 1:15 pm
[...] Engenharia de Software Este blog tem como meta apresentar algumas discussões e opiniões relacionadas a engenharia de software. « O que leva as empresas a praticarem o nearsourcing ou outsourcing na produção de software? [...]