Um Paralelo entre Residência Médica e a Residência em Software

Atualmente, o termo residência em software é utilizado por várias instituições de ensino superior, empresas, pesquisadores da área da educação em ciência da computação e órgãos de fomento a pesquisa (cito o CNPq que lançou, no início deste ano, um edital para financiar programas de residência em software no país – www.cnpq.br). 

A idéia de residência médica foi criada no Brasil pelo decreto número 80.281 de 05 de setembro de 1977, e se caracteriza como uma modalidade de ensino de pós-graduação. Esta pós visa o aperfeiçoamento dos médicos sob a forma de um curso de especialização, na qual este se insere em uma instituição de ensino ligada à área de medicina. Ao concluir o curso o médico adquire o título de especialista. O tempo de residência médica irá variar de acordo com a especialização. Especialistas em cirurgias ficam 4 anos imersos no ambiente de residência. Já para obter a especialidade de ginecologista, o tempo de residência é de 3 anos. Outras especialidades possuem residência de dois anos.

Na medicina, o residente vive, na maioria das vezes, em um ambiente hospitalar, situações reais dentro de seu escopo de conhecimento. Tal experiência é monitorada por um corpo de especialistas. A residência em software tende a tomar mesma linha de raciocínio: proporcionar uma vivência ao aluno de graduação ou aos profissionais já formados das áreas de TI (alunos de pós), dentro de um ambiente real, que possua políticas de qualidade bem definidas, com o objetivo de promover a disseminação dos conceitos de qualidade de software, processo de produção e gestão de projetos para a área de engenharia de software.

Salienta-se que um dos primeiros trabalhos publicados que relata a idéia de residência é brasileiro, o Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco apresenta a idéia de residência focada em teste de software, vale a pena dar uma olhada (SAMPAIO, A. et. al. Software Test Program. A Software Residency Experience. Proceedings of 27th International Conference on Software Engineering (Educational Track). St. Louis, USA. 2005). Outras experiências completam este quadro:

·        Programa de residência do Bank of New York Mellon: com início em 2008, tem o objetivo de formar engenheiros para as áreas de desenvolvimento, análise de negócios e gerenciamento de projetos. No desenvolvimento, focando J2EE, XML, Business Inteligence System e Datamining WebService. Na análise de negócio, focando a ajuda ao cliente em seu entendimento da tecnologia necessária e do necessário alinhamento desta com seu negócio. No gerenciamento de projetos e processos, focando o provimento de um conjunto de conhecimentos específicos de gestão e de execução de processos de produção de software. (http://www.bnymellon.com/careers/softwareresidency.html);

·        Programa de residência da Universidade Federal da Bahia: criado em 2005, com foco específico em governo eletrônico;

·        Centro de Residência do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo: iniciado em 2002, com o objetivo de prover uma formação sólida para os profissionais de TI, principalmente sob a ótica da qualidade de software;

·        Programa de Residência em Desenvolvimento de Software PUC – Rio – http://wiki.les.inf.puc-rio.br/index.php/PRDS

·        Centro de Residência da Faculdade de Tecnologia de Ourinhos: criado em 2005, em parcerias com o Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e com a iniciativa privada, focando o provimento de uma formação qualificada aos estudantes do último ano do curso de graduação na área de qualidade e produtividade de software (maiores informações sobre a residência em software da FATEC-OU pode ser verificada em Residência em Software: Um Caso Real e uma Proposta Genérica para a Normatização de Novos Programas);

É, perfeitamente, possível estabelecer uma relação direta entre a residência médica e a residência em software. A primeira, para se concretizar, necessita das seguintes entidades:

·          Curso Superior (graduação e pós-graduação em Medicina);

·          Hospital;

·          Residentes (médicos);

·          Pacientes;

·          Médicos/Professores (tutores no ambiente de residência médica);

·          Laboratórios;

·          Produtos de trabalho.

Já a segunda necessita de:

·        Curso Superior (graduação e pós-graduação na área de informática);

·        Empresas produtoras de software atuando no mercado (o hospital da residência em software);

·        Residentes (alunos do último ano de graduação ou profissionais da área de engenharia de software (aluno de pós));

·        Clientes/empresas que necessitam de software (o paciente da residência em software)

·        Engenheiros de Software/Professores (tutores no ambiente de residência em software)

·        Laboratórios

·        Produtos de trabalhos.

Por fim, é salutar dizer a todos que um programa de residência em software deve inserir o aluno da graduação ou da pós-graduação em um ambiente real de produção de software e este ambiente é encontrado, na maioria das vezes, no contexto empresarial. No Brasil, será que a residência pode colaborar com a melhoria do processo e do produto caracterizado como software?

 

José Augusto Fabri

Faculdade de Tecnologia de Ourinhos

Fundação Educacional do Município de Assis

 

Fontes de consulta:

SAMPAIO, A. et. al. Software Test Program. A Software Residency Experience. Proceedings of 27th International Conference on Software Engineering (Educational Track). St. Louis, USA. 2005.

SAMPAIO, C. A. S.; LIMA, J. M. Residência em Software. Revista PROQUALIT – Qualidade na Produção de Software. Editora UFLA. Volume 2. Número 1. Maior de 2006.

FABRI, J. A.; TRINDADE, A. L. P. Residência em Software: Um Caso Real e uma Proposta de Genérica para a Normatização de Novos Programas. VII Jornadas Iberoamericanas de Ingeniería del Software e Ingeniería del Conocimento. Quito. Ecuador. Fevereiro de 2008.

3 Responses to “Um Paralelo entre Residência Médica e a Residência em Software”

  1. Paulo Ambrósio Says:

    Prezado Fabri,
    Em primeiro lugar, venho parabenizá-lo pela iniciativa do blog. Excelente forma de se trabalhar com a importante característica educacional da Internet.
    Com relação ao tema atual, este conceito de “residência em software” não pode ser visto como o “estágio supervisionado” (que já existe na maior parte dos cursos de graduação, inclusive como condição obrigatória)?

  2. Excelente post para mim o termo residência em software era desconhecido até ler este excelente post.

    Bom artigo obrigado pela informação.

    Cumprimentos

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