Treze itens que relacionam fábrica de software, near/outsourcing e home office

 

Após redigir o texto o que leva as empresas a praticarem o nearsourcing ou outsourcing na producao de software? recebi várias mensagens de empresários, profissionais liberais e estudantes questionando quais seriam os caminhos para estabelecer relações de terceirização?

 

Acredito que algumas soluções passam pelo relacionamento de três conceitos: fábrica de software, near/outsorcing e home office. 

 

Uma fábrica de software é caracterizada como uma organização estruturada, voltada para a produção do produto software, totalmente alicerçada na engenharia e com organização do trabalho, modularização de componentes e escalabilidade produtiva caracterizada. Deve possuir ainda: um ambiente de gerenciamento de projetos; um processo padronizado, definido e institucionalizado; políticas que garantam a qualidade do produto; um conjunto de ferramentas para mecanizar o gerenciamento de projeto, processo e construção; técnicas para medir e estimar custo, prazo e tamanho de uma equipe para um determinado projeto; ambiente de teste definido e padronizado; foco em um segmento de mercado e; política de desenvolvimento de recursos humanos.

 

Near/Outsourcing (em inglês out significa fora, near significa perto e sourcing significa fonte): Uma operação qualificada como near ou outsourcing é caracterizada quando uma empresa obtém mão de obra terceirizada para a produção de código fonte. Geralmente, quando falamos de near, o contrato é entre empresas do mesmo país, já uma operação out prevê a terceirização de mão de obra entre empresas de dois países. 

 

Home office: Profissional contratado por uma empresa para trabalhar em casa. Este profissional trabalha no horário que lhe convém, não precisa utilizar qualquer meio de transporte para ir à empresa, está bem próximo de sua família. Estudos indicam que ele produz mais e comparece menos.

 

Neste texto, nosso ponto de partida são as fábricas de software, cujo principal problema é encontrar mão de obra qualificada e comprometida. O comprometimento pessoal com uma empresa é algo em extinção em um mercado tão aquecido como o nosso. Como contratar pessoas qualificadas, minimizar custos e maximizar lucros? Segue algumas dicas:

 

1 – As fábricas devem estabelecer alianças com universidades e faculdades do interior do país. Nestas localidades a relação custo/qualidade de vida é atrativa. É possível encontrar formandos excelentes que estão dispostos a abrir mão de viver nos grandes centros e permanecer próximo de suas famílias. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, no Brasil são disponibilizadas, anualmente, 100.000 vagas para os cursos superiores de computação. Cerca de 60% destas vagas são oferecidas fora dos grandes centros de produção de software. Por que não recrutar e alocar esta mão de obra na sua origem?

 

2 – Após recrutar tais profissionais é necessário que as fábricas estabeleçam um programa de treinamento. Todos os recrutados devem conhecer os aspectos organizacionais da empresa, por exemplo: missão, objetivos, perspectiva de crescimento, plano de carreira e, principalmente, o processo de trabalho.

 

3 – Se a empresa optar por desenvolver o conceito de home office com seus profissionais, ela deve estar consciente que é necessário prover infra-estrutura para isto. 

 

4 – Possibilitar o acesso do corpo docente às ferramentas utilizadas no processo de produção de software, principalmente aquelas caracterizadas como proprietárias. Possibilitar uma diferenciação na certificação para estes docentes, lembrando que o salário dos professores não é dos melhores.

 

5 – Para se ter eficiência/eficácia é necessário que as empresas descrevam e institucionalizem um processo fabril de produção de software com características distribuídas. Infelizmente, existem casos de empresas que tentaram implementar um centro de produção no interior do país e não obtiveram sucesso. Várias delas tiveram problemas na gestão do processo de produção, pois o mesmo não possuía maturidade fabril e distributiva.

 

Já as Instituições de Ensino Superior (IES), devem:

 

6 – Agilizar o estabelecimento de alianças acadêmicas. Lembre-se que o mercado é dinâmico. Conheço um caso que o estabelecimento de uma aliança levou cerca de seis meses para ser concluído, por culpa da universidade.

 

7 – Os professores devem atentar às tecnologias emergentes utilizadas pelo mercado. Neste caso sugiro o desenvolvimento de visitas técnicas e programas de imersão tecnológica contínuos. Lembrando: As instituições devem prover condições administrativas para que isto aconteça (por exemplo: isenção das atividades acadêmicas no período de imersão tecnológica).

 

8 – Aprofundar, em sala de aula, os conceitos relacionados à fábrica de software e desenvolvimento distribuído. Com certeza tais conceitos, podem minimizar o problema da maturidade distributiva citado anteriormente.

 

Para os profissionais da área de TI que desejam a terceirização, via home office, é necessário:

 

 9 – Conhecer, profundamente, os conceitos que tocam o desenvolvimento fabril e distribuído de software e as tecnologias utilizadas pelas empresas.

 

10 – Buscar certificações oficiais.

 

11 – Possuir fluência na língua inglesa.

 

12 – Possuir infra-estrutura (sala reservada, acesso a internet, etc.) para o desenvolvimento das atividades relacionadas ao trabalho.

 

13 – Ter disciplina, horário de trabalho é horário de trabalho, lembre-se disso.

 

Por fim, ressalto que existem diversos casos de sucesso de empresas que terceirizam parte da produção de código via home office. Se você possui  alguma experiência neste sentido, compartilhe-a conosco.

 

José Augusto Fabri

5 Responses to “Treze itens que relacionam fábrica de software, near/outsourcing e home office”

  1. Ótimo post Guto.

    Eu estou do lado da empresa que vai atráz de parcerias com faculdades, então, ai vai uma questão para você ou então uma idéia para um próximo post:

    IBM, Microsoft, e tantas outras empresas, tem projetos de parcerias com faculdades, nos quais disponibilizam material, cursos, descontos em certificação, etc, etc… Mas o que fazer quando os professores não demonstram a mínima vontade de conhecer esse tipo de iniciativa? Eles são os maiores responsáveis por mostrar para os alunos que tais parcerias existem, mas geralmente, não o fazem. Como “cutucar” eles para que tenham mais empenho?

  2. Não sei como cheguei ao seu site. Mas to abismado com tudo que li até aqui.

    Cara, não sei se ninguém te avisou ainda, mas fábrica de software é algo que não existe. E software não é manufatura.

  3. olá guto, ótimo texto!

  4. Olá Guto,

    Parabéns pelo trabalho desenvovido!

    Gostaria de saber qual sua opnião quanto a terceirização no setor de análise de sistemas.

    Hoje o Outsourcing em TI vem crescendo em vários setores(hardware, suprimentos, impressão, software (desenvolvimento/programação); mas gostaria de saber qual sua opinião quanto à análise de sistemas, pois sabemos que é o setor mais diretamente envolvido com o negócio da empresa. Você acha viável a terceirização nesse setor????

    Um abraço,
    Andréia

  5. Olá Guto,

    Excelente trabalho que vem desenvolvendo!

    Gostaria de questiná-lo quanto a terceirização no setor de análise de sistemas.
    Sabemos que o Outsourcing em TI (hardware, manutenção, software(desenvolviemento/programação, etc) vem crescendo.
    Gostaria de sua opinião exclusivamente no setor de análise de sistemas. É viável a terceirização uma vez que é o setor que está diretamente ligado ao negócio da empresa?

    Abraço,

    Andréia

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