Produtividade de software: Brasil, a bola da vez ou mercado de risco?

Nesta última sexta-feira 13, tive a sorte de assistir uma palestra, sobre o mercado produtivo de software, ministrada pelo presidente da Brasscom (Brazilian Association of Information Technology and Communication Companies) Antônio Carlos Rego Gil. Nota: A palestra foi ministrada na Fundação Educacional do Município de Assis.

Os números delineados por Rego Gil não diferem, substancialmente, da situação mercadológica brasileira dentro do setor produtivo de software apresentada por este blog quando lançado (confira os números de fevereiro de 2008 por meio deste link).

Este post tem como objetivo materializar os números apresentados na referida palestra e retomar a discussão sobre o mercado produtivo de software no contexto nacional. 365 dias se passaram e quase nada mudou. Este fato me leva a delinear a questão que intitula este post. Além disso, todos terão uma ótima oportunidade para atualizar os dados quantitativos sobre a produtividade de software tupiniquim.

O cenário econômico brasileiro se manteve estável em 2007 e 2008

O Brasil possui cerca de 190 milhões de habitantes, 80% da população vive em área urbana. O Produto Interno Bruto Brasileiro (PIBB), em 2007, chegou a US$ 1.5 trilhão, o sétimo maior do mundo. No mesmo ano o país cresceu 5.4%. A taxa de infração se manteve estável: alta de 4.5% – nota: é a menor do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). Em 2007, as exportações tupiniquins chegaram a US$ 160 bilhões (crescimento de 20% em relação a 2006). As reservas internacionais chegaram a casa US$ 180 bilhões (ou o dobro da dívida externa do país). A Fitch e a S&P, agências que determinam o risco país, classificaram o Brasil como uma opção a receber investimentos externos.

Produção industrial de bens e produtos de longa duração, agricultura e energia: poucas mudanças

Grandes indústrias brasileiras: aeronáutica e automobilística – quarta e a sexta maior do mundo. Na esfera agrícola o país é uma potência na produção de soja, café, cana-de-açúcar e carne bovina. Somos auto-suficientes em petróleo desde 2006, com as descobertas das reservas no litoral sudeste devemos nos tornar um grande exportador a partir de 2014. Referência global no uso de energia limpa e renovável (83% da eletricidade é gerada em usinas hidrelétricas), liderança mundial de produção de etanol (uma alternativa ao petróleo), grandes reversas de urânio, completam o cenário “promissor” para investimentos no Brasil.

Cenário tecnológico não difere substancialmente do primeiro post

O cenário tecnológico também é favorável. Nosso país possui cerca de 150 milhões de telefones celulares  e 8.5 milhões de acesso a banda larga. Os investimentos em TI chegaram à casa de US$ 20 bilhões. O voto eletrônico e a automação do sistema bancário financeiro continuam sendo bons ativos de TI.

As agências de pesquisas salientam que o investimento mundial em TI para 2008 variará entre US$ 1.2 a 1.4 trilhões. As operações que demandam outsourcing e off-shore chegarão a casa de US$ 70 bilhões, um aumento de 40% se comparado a 2007. A Índia irá abocanhar cerca de 70% deste mercado (por que será?).

A meta brasileira para o setor produtivo de software

O Brasil tem como meta exportar cerca de US$ 5 bilhões de dólares em software nos próximos 3 anos. Para alcançar este número necessitaremos formar 100 mil novos profissionais (que fale inglês fluentemente). Além da formação desta gama de profissionais é necessário que o governo reduza carga tributária em torno de 15%. Eu, particularmente, pago para ver que tudo isto ocorra!!!

Formação de mão de obra qualificada

Atualmente, o Brasil possui 154.319 vagas anuais para os cursos superiores em ciência da computação e cursos relacionados. Cerca de 98.000 alunos se inscrevem para o vestibular destes cursos. 44.987 se matriculam e 16.907 concluem. Com estes números levaremos 6 anos para formar o número de profissionais necessários para exportar os  U$ 5 bilhões.

Cuidado com o bodyshop

Além do cenário descrito, gostaria de destacar outro ponto importante: Não podemos nos contentar com o simples adjetivo de bodyshop da área produtiva de software. Temos que planejar a TI no Brasil a longo prazo, as empresas tupiniquins devem buscar competência para gerar valor agregado em seus produtos. Valor agregado passa por questões relacionadas à:

1 – Pesquisa e desenvolvimento: investimentos das iniciativas públicas e privadas, as universidades e os centros universitários também se constituem como protagonistas neste item.

2 – Capitalização das empresas nacionais: a redução da carga tributária é um bom começo, será que ela realmente vai acontecer? Um aumento das linhas de créditos para empresas de TI também seria bem vindo.

3 – Qualidade: fator que implica no investimento empresarial e uma conscientização de todos sobre a necessidade de implementar programa qualidade relacionado ao processo de software.

Lembre-se que o mercado global de TI poderá movimentar US$ 1.4 trilhões, outsourcing e off-shore chegarão a casa de US$ 70 bilhões. Com base nestes números é possível afirmar que as atividades processuais relacionadas à programação e teste não representam grande valor agregado. Questões relacionadas à bodyshop podem e devem ser consideradas com o objetivo de gerar novos empregos e promover a capacidade produtiva brasileira, MAS… se realmente quisermos ser grandes em TI temos que ir além…  

Enfim, o título “Brasil, a bola da vez” é coerente se os riscos relacionados à mão de obra e carga tributária forem minimizados em curto prazo. Caso contrário vamos ver nossos programadores sendo substituídos por programadores Indianos e Chineses. A discussão está aberta… Enquanto multinacional da área produtiva de software, em quais dos países do BRIC você investiria hoje?   

J.A.

Referências

http://www.brasscom.org.br/

http://www.ibge.gov.br/home/

http://www.planejamento.gov.br/

http://www.fazenda.gov.br/

http://www.mct.gov.br/

http://www.inep.gov.br/

One Response to “Produtividade de software: Brasil, a bola da vez ou mercado de risco?”

  1. Olá, extraordinário post…
    Com amigos estamos lendo muitas coisas e pensando em como nos por diantes o mercado.
    Acreditar que todos os fatores relacionados a motivação de crescimento aconteçam, é uma das coisas que considero como visão empresarial.

    Também acredito que você está certo ao dizer que tudo aquilo é ruim de ocorrer, mas somos ou não somos brasileiros?

    Enquanto multinacional da área produtiva de software, em quais dos países do BRIC você investiria hoje?

    Essa seria uma outra visão, ser uma empresa a qual pessoas tenham coragem de investir.

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