No mínimo, uma proposta diferente de portfólio

Na semana passada estava ministrando um curso sobre gerenciamento de projetos. Em um dos tópicos deste curso foco a questão do portfólio de projetos, tanto de uma empresa de software, como de uma instituição de ensino superior (IES – universidade, centro universitário e faculdade isolada). Em uma das atividades proposta, peço para que os alunos visitem algumas empresas, analisem o seu portfólio e apresentem, em alguns minutos, o que foi analisado.

Compartilho com vocês algumas das apresentações efetuadas:

Portfólio da indústria automobilística

“Professor!! Visitei uma concessionária e solicitei que eles apresentassem todas as especificações dos carros que montadora disponibilizava no mercado. Para minha surpresa, fui levado a uma sala, na qual, o vendedor e um dos gerentes da oficina sanaram todas minhas dúvidas. Ainda levei vários folders para casa”.

Portfólio de uma fábrica de bicicletas

“O documento apresenta todas as bicicletas desenvolvidas pela fábrica. Questões ligadas ao designer das bicicletas também podem ser vistas”.

Portfólio de uma loja de celular

“Na loja tive contato com as especificações técnicas e de usabilidade de todos os aparelhos comercializados”.

Portfólio de uma agência de publicidade

“Professor, ao visitar a agência fui recebido pelo departamento de clientes. O referido departamento apresentou-me uma bela pasta com todas as peças publicitárias desenvolvidas”.

Efetuada as quatro apresentações, questionei a turma: Alguém visitou uma empresa de produção de software? Vários alunos responderam de forma positiva. Questionei novamente, em alguma dessas empresas vocês viram o portfólio materializado? Todos responderam que não. Uma frase, de um dos alunos, me chamou a atenção:

“Professor, na empresa (de software) que visitei, os gestores apenas contaram-me sobre os projetos que foram desenvolvidos”.

Com base nestes fatos, questiono a todos interlocutores deste blog:

1 – A empresa (de software) na qual você trabalha tem um portfólio?

2 – As IES se preocupam em estruturar algo desse tipo?

3 – Como deve ser configurado um portfólio nestas organizações?

Darei-me o direito de propor uma resposta para a questão 3.

Nas empresas o portfólio deve ser dinâmico. Ao visitá-la o cliente deve ter contato com os projetos em desenvolvimento. Aspectos ligados ao valor agregado que este projeto gerou (e está gerando) para o cliente e para própria empresa devem estar presente no referido artefato. Algumas informações devem ser maximizadas na configuração do portfólio:

1 – Quantidade de projetos que foram desenvolvidos e que estão em desenvolvimento dentro do prazo e do orçamento pré-estabelecido.

2 – Conhecimentos que foram e que são gerados junto aos clientes internos e externos – todos os treinamentos desenvolvidos devem ser mapeados – aspectos ligados ao mentoring, tantos internos como externos, devem ser incluídos.

Enfim, nas empresas (de produção de software), o portfólio é dinâmico, digital e on-line. O artefato em questão é totalmente diferente daquele que foi apresentado pelos alunos no início do post. Lembre-se, em uma empresa do setor produtivo de software, o portfólio de ontem é diferente do de hoje.

As IES que agregam sob sua responsabilidade uma série de projetos de pesquisa, devem armazenar em seu portfólio:

1 – As publicações de seus departamentos e, respectivamente, de seus docentes. Neste caso uma boa ferramenta de gestão de conhecimento ajuda. Um dos objetivos desta ferramenta é armazenar: quem está produzindo o que, financiado por quem, e publicando onde.

2 – Compartilhar estas informações com cliente interno e externo seria outro objetivo, não menos importantes, da referida ferramenta.

3 – O cálculo do ROI (return on investiment) – voltaremos a falar sobre este tema em um próximo post – de um projeto de pesquisa, também, deveria ser caracterizado como uma prática nestas instituições. Com certeza este valor seria um dos atributos para verificar se estas instituições contribuem realmente com o tripé que as compõem: ensino, pesquisa e extensão.

4 – A atuação no mercado dos alunos formados e os projetos sociais por elas (as IES) desenvolvidos deveriam fazer parte do documento em questão.

É importante ressaltar que em ambos os casos chegamos à conclusão que o portfólio é caracterizado como dinâmico. Este fato nos remete a refletir como seria composta uma estrutura (ou arquitetura) tecnológica que suporte este dinamismo? Com certeza, no mínimo, teríamos uma proposta diferente de portfólio.

Em tempo, gostaria de ressaltar que de 09 de março a 10 de maio, ao enviar um comentário para o blog, você estará concorrendo a uma assinatura da revista Engenharia de Software disponibilizada pelo grupo DevMedia. Confira as regras do concurso em: envie um comentário e concorra a assinatura gratuíta da revista engenharia de software.

Aproveito a oportunidade para convidar a todos a participar do Engenharia de Software Conference, lá teremos a oportunidade de discutir com pesquisadores e profissionais de mercado vários temas relacionados à área da engenharia de software. Espero encontrar muitos de vocês neste evento.

J. A.

fabri@femanet.com.br

4 Responses to “No mínimo, uma proposta diferente de portfólio”

  1. As contribuicoes de todos sao muito valiosas.
    Porem, parece que ao olhar o conceito de Portfolio de Projetos, nos esquecemos um pouco do elemento principal: o PROJETO.
    Este é um esforco para romper a “inercia”, por isso tem Prazo, Custo, Qualidade e Quantidade muito bem determinados. Nos casos mencionados nao se fez referencia a estes elementos básicos. Alem disso, o PROJETO é sempre único, dado que a condicao “ceteris paribus” nao se aplica no correr do tempo. Isto é o PROJETO nao pode ser o mesmo no decorrer do tempo, dado que muitos elementos variam em seu entorno.
    Muitas veces, confundimos PROJETOS, com operacoes. Isto depende da posicao do observador. Por exemplo, a casa propria é um projeto para uma familia, porem é uma operacao para a empresa construtora. Portanto, devemos ter cuidado com isto. Ao parecer as empresas visitadas expuseram operacoes, nao PROJETOS.
    Os PROJETOS devem considerar mínimamente: Prazo, Custo, Qualidade e Quantidade; e, se for um projeto social deve conter elementos Políticos (exercicio do poder), Normativos (leis, regulamentos), Orgánicos (divisao do trabalho), Funcionais (procesos), de Infraestrutura e de Comunicacao.
    Geralmente, as empresas nao expoem seus PROJETOS, dado que estes contem elementos estratégicos, táticos e operativos.
    Sería conveniente armar um Portfolio de Projetos, com os elementos acima considerados, aos efeitos de te-lo como exemplo. Sugiro visitar esta página web: http://www.gonutz.com/portfolio/ Ela apresenta alguns dos elementos mencionados, proprios de um projeto.

  2. Carlos Pedrotti Says:

    Concordo, mas será que ‘todas’ empresas possuem esses critérios pesquisas, ensino ? Algumas de grandes nomes, todos sabemos que sim, mas muitas talvez poderiam perder visibilidade no mercado, por tentarem fazer, e assim mostrar que não estão a pé de se manterem no mercado.

  3. Os comentários sobre as atividades esperadas para uma IES são totalmente válidos, porém, para uma software house, os pontos levantados podem não necessariamente ser válidos, uma vez que existem software houses que tem somente X produtos, então o portfolio deve conter estes produtos, e não ser algo dinâmico.
    Praticamente todas as software houses que conheço tem um portfólio de produtos.
    Já as que não tem seus produtos definidos, aquelas que fazem “software por encomenda”, costumam não ter um portfolio, ai sim vejo que são válidas suas afirmações, e que sim, elas deveriam manter um portfolio dinâmico mostrando os dados citados.

  4. É muito importante para mim ler sobre o que você escreve, principalmente depois de pensar em montar uma empresa!
    Gostei muito deste post, e muito também do post dos seus relatos sobre o que o presidente da Brasscom disse em SP a + ou – dois meses atras!

    Parabéns!

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