A situação das Fundações Educacionais não é das melhores…

José vende pão para financiar projetos assistenciais para crianças carentes. Até meados da década 1990, o pão de José tinha grande aceitação no mercado. De uns anos para cá a situação mudou um pouco, veja só:

1 – O custo de produção do pão aumentou drasticamente, pois os padeiros de José se especializaram (lembre-se que manter pessoal de qualidade exige maior remuneração).

2 – A qualidade do pão aumentou, padeiros especialistas produzem pão cada vez melhor.

3 – O nível do paladar da população diminuiu, ou seja, em matéria de pão a população está menos exigente.

4 – Surgiram várias padarias (que muitas vezes não se preocupam com a qualidade), a concorrência aumentou.

5 – Não existe uma fiscalização intensa da agência sanitária. As agências “afrouxaram” as regras.

Resultado: José vende, a cada dia, menos pão e com o passar do tempo o custo de produção só aumenta.

Plagiando Carlos Drummond de Andrade, questiono: “E agora José?”

Existem diversas fundações do terceiro setor, inseridas no contexto educacional, que se assemelham a padaria de José.  Vejam só a analogia:

1 – Algumas fundações possuem um corpo docente altamente qualificado, fato este que implica em um aumento constante no pagamento de pessoal.

2 – A qualidade do ensino, neste segmento, é indiscutível.

3 – A população brasileira a cada dia encontra-se menos exigente em matéria de ensino.

4 – Surgiram várias instituições particulares, discutíveis qualitativamente, neste segmento de mercado.

5 – Os órgão reguladores, cito MEC e CEE-SP, afrouxaram as regras promovendo a dita “expansão do ensino superior no Brasil”.

O que fazer para que o “povo não suma”?

Nos itens delineados a seguir, apresento, segundo meu ponto de vista, algumas ações que podem evitar que “José fique com a chave na mão e não abra a porta”.

1 – Com uma grande massa de mestres e doutores essas instituições podem obter ajuda das agências de fomento.

Errado. As agências dividem sua miséria com instituições solidificadas . A maioria das fundações educacionais não possui pesquisa de expressão e sequer plano de carreira.

2 – Demitir professores altamente especializados.

Errado. A maioria das fundações não está capitalizada para agir desta forma. Ao perder os professores especializados perderão a qualidade que possuem e conseqüentemente a parcela da população que procura o referido atributo debandará.

3 – Reduzir salário, cortar dissídio.

Errado. Medida paliativa lembre-se que os padeiros gostam de estudar e de se especializar, os cortes e as reduções só prorrogarão a explosão do forno da padaria. Ao aplicar cortes constantes você corre o risco de perder seus melhores padeiros.

4 – Aumentar o capital de giro se capitalizando via iniciativa privada.

Correto: As fundações educacionais devem apresentar ao mercado o lucro que elas podem dar. Se isto acontecer investimentos virão.

5 – Criar uma estrutura sólida para que o capital humano possa atuar, junto ao meio econômico, fora da sala de aula.

Correto. Ao criar uma carteira de consultorias para o setor econômico, você beneficiará a todos. As empresas absorverão conhecimento, os professores serão remunerados quando as consultorias forem realizadas e as fundações, também, serão remuneradas por manter tais professores consultores.

6 – Criar um plano de carreira.

Correto. Desde que o plano de carreira seja verdadeiro. Lembre-se, se o colaborador possuir “certa” estabilidade ele investirá tempo na resolução de problemas que gerem valor agregado para instituição. O plano de carreira alavanca a pesquisa e com isto podemos participar da divisão da miséria.

7 – Buscar estratégias diferenciadas de avaliação da qualidade.

Correto. As estratégias diferenciadas devem focar os aspectos qualitativos. Atualmente, a maioria das avaliações possui um caráter altamente quantitativo. Por que não criar um comitê de avaliação, por curso, que possua um representante docente, um representante discente e, principalmente, um representante do mercado? Acredito que uma visão externa será bem vinda.

8 – Ouvir o mercado de trabalho.

Correto. Que tipo de profissional o mercado procura? Esta questão é extremamente salutar dentro do contexto “educacional” do país. O referido contexto nunca esteve alinhado com o mercado. As iniciativas que contemplam  tal alinhamento são pífias.

9 – Que as visões estratégica e tática discutam os assuntos relevantes.

Correto. Os gestores devem canalizar suas forças no que realmente traz valor agregado. O contato direto com o setor econômico e político são as principais atribuições dos presidentes e diretores das fundações.

Em fim, a discussão está aberta.

Que José e seus padeiros mudem essa realidade. Com certeza todos têm elementos e ferramentas para isto.

E ai padeiro… quando sai à próxima “formada”?

Abraços

J.A.

fabri@femanet.com.br

One Response to “A situação das Fundações Educacionais não é das melhores…”

  1. Oi Guto.
    Realmente estamos em uma situação difícil. Estão pipocando por ai, fábricas de vender diplomas, com preços incrivelmente baixos, e vemos que os alunos estão com o mínimo de interesse de aprender, eles querem é o diploma, pois, acreditam que o mercado não está exigente visto a falta de mão de obra qualificada!
    As soluções citadas por você para as instituições sérias, são realmente interessantes, mas temos 3 fatos ai:
    1- na maioria das instituições , quem as coordena é uma porção de pessoas acomodadas que não tem a mínima vontade de fazer nada.
    2- Quando o coordenador tem vontade, esbarra em um monte de gente hipócrita que não tem vontade e fica jogando a ancora.
    3- Os alunos, em geral, estão com pouquíssima vontade de aprender!

    Realmente, estamos em uma situação desesperadora!

    Olha a índia ai gente!!!

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