A relação entre comandantes e comandados em um grande projeto

Formalmente, um projeto pode ser encarado como um esforço temporário empreendido com o objetivo de criar um produto ou um serviço permeado por resultados exclusivos e de grande qualidade. Para que se atinja um excelente grau qualitativo em um projeto é necessário que todos os envolvidos foquem, em primeira instância, os objetivos do mesmo.

Participo ativamente de um grande projeto (do terceiro setor) com os objetivos bem definidos e com um cunho social extremamente relevante. A equipe que toca o projeto é altamente qualificada e comprometida.

No início do ano, a gerência do referido projeto foi substituída, e posso afirmar que a relação entre ela e seus gerenciados não é das melhores. Acredito que algumas decisões tomadas levaram as desgastes desnecessários. Neste post apresentarei quatro deles:

Desgaste 1 – A gerência impôs situações que não geraram valor agregado algum.

No início de sua gestão, os comandantes do projeto apresentaram aos comandados normas e regras que não geraram, e pior não irão gerar, valor agregado algum. Acredito que a gerência possui total autonomia para apresentar uma nova norma ou regra para o bom andamento do projeto, desde que a grande maioria esteja convencida que esta norma irá gerar benefício; se somente o gerente possui este sentimento e a equipe do projeto é qualificada e tem grande vivência na área, então (gerente) a decisão tomada deve ser revista.

Desgaste 2 – A gerência se coloca em um patamar superior aos seus gerenciados.

Essa situação é comum em vários projetos, a gerência se acha… Despreza todo o diferencial qualitativo que os seus comandados possuem. Nós gerentes iremos salvar a pátria. Nessa empresa ou nesse projeto as coisas serão diferentes a partir de agora. Agora teremos uma voz de comando. Só nós sabemos como lidar com situações deste tipo. Em muitos casos alguns comandados são menosprezados pela gerência… Questiono: que tipo de valor que isso agrega?

Desgaste 3 – A gerência não corta a própria carne.

Passamos por uma crise econômica sem precedente nos últimos 20 anos. Fator este que afeta qualquer projeto, inclusive esse que participo. Ajustes orçamentários devem ser feitos. Os comandados percebem que isso é importante. Entretanto, os generais, simplesmente, contrataram novos coronéis. Os coronéis antigos começam a desempenhar “outras funções”, recebendo o mesmo salário. Este fato levou o aumento do custo orçado para o projeto. Não sou contra que pessoas sejam substituídas, desde que os substituídos sejam demitidos… Acredito que essa atitude deve ser repensada no referido projeto. Fica o recado para a gerência, corte na própria carne.

Desgaste 4 – Metendo os pés pelas mãos na negociação salarial.

Se você gerente não corta na própria carne, não conseguirá iniciar um processo de negociação salarial para o projeto. Dê o exemplo! No momento de negociar eleja alguns representantes dos comandados e inverta, literalmente, as posições. Apresente os números ou informações consistentes e peça para que os representantes tomem a decisão ou busquem alguma alternativa para que o quadro seja revertido. Lembre-se que o problema não é somente seu. Não cortar na própria carne e impor reduções sem uma discussão prévia não funciona em qualquer tipo de negociação.

Para finalizar posso afirmar (de carteirinha):

Existe uma fase de “lua de mel” entre comandantes e comandados e essa fase ocorre no início do projeto. Se ela não for aproveitada, todos sairão muito machucados.

Abraços

José Augusto Fabri  

fabri@femane.com.br

2 Responses to “A relação entre comandantes e comandados em um grande projeto”

  1. Muito interessante seu artigo, realmente é um retrato fiel dos gestores de negócio e dos gerentes de projetos brasileiros, principalmente com a falta de recursos atual e com os perfis centralizadores e politizadores existentes por ai.
    É mais comum do que imaginamos, e principalmente em empresas que estão crescendo sem muita organização, um gerente com poder significativo querer tomar conta de tudo, centralizando as decisões de projeto e politizando-as com a diretoria, sem levar em conta a necessidade de sustentar o negócio e sem consultar as equipes operacionais.
    Talvez você traçar a união desses perfis numa evolução do seu artigo.
    At,

  2. Hector Rodriguez Says:

    Prezados Amigos, comecemos pela propria definicao de projeto: É UM ESFORCO PARA ROMPER A INERCIA ATUAL E CONDUCIR A UMA NOVA INERCIA. Naturalmente, ESFORCO = CUSTOS + PRAZOS, claramente determinados para conseguir a NOVA INERCIA = ESCOPO. Eis os tres elementos básicos de um projeto: CUSTOS, PRAZOS e ESCOPO.

    Si analizarmos esses elementos básicos, veremos que em cualquer uma das proporcoes determinadas, fatalmente, conducirao ao STRESS e ao ATRITO entre seus componentes, si tudo nao for devidamente lubrificado com MUITA COMUNICACAO interna e externa.

    Este fenómeno aplicado ao terceiro setor é particularmente grave, dado que normalmente existe um componente de ideología e idealismo neste setor. A ideología e o idealismo nem sempre sobrevivem a condicoes de máximo STRESS e ATRITO, como no caso dos projetos.

    Certamente, a COMUNICACAO é problema de SPONSORS, DIRETORES E GERENTES de projetos. De fato, eles sao melhor remunerados para conducir a equipe ao logro do OBJETIVO do projeto. Porem, nem sempre é possível conseguir.

    O principal problema é que TUDO COMUNICA alguma coisa, no ambiente de projetos, e todos se sentem inseguros cuando percebem falta de congruencia entre as percepcoes e os discursos dos CORONEIS e GENERAIS.

    Os problemas descritos nao maior parte dos casos tem inicio na COMUNICACAO ineficientemente gestionada. O atrito, sem lubricacao, já gerou aquecimento das pecas (como num motor) e sua correspondente dilatacao. Isto requer acoes concretas para reducir o sobreaquecimento e o atrito. Certamente, deverao integrar elementos de resolucao alternativa de conflitos, se nao quiserem MATAR o projeto.

    A questao dos SALARIOS dentro do projeto, nao devería haver sido problema, dado que devería haver estado previsto dentro do ORCAMENTO. Se existiram recortes, quer dizer que o peixe nao foi adecuadamente vendido, isto tambem é COMUNICACAO.

    A comunicacao, para nos “tecnócratas”, até parece trivial, porem tem seus métodos e é uma das pecas mais importantes no que se denomina INTERVENCAO SOCIAL, a qual é o principal foco do terceiro setor. Alias, toda intervencao social tem interna e externamente os seguintes elementos, a considerar: POLITICOS, NORMATIVOS, ORGÁNICOS, FUNCIONAIS, DE INFRAESTRUTURA E COMUNICACAO. Evidentemente, estao tendo problemas com todos eses elementos, tal vez mais agudos agora com tanto atrito.

    Com relacao a “lua de mel”, é parte normal da evolucao dos projetos, antes da chegada dos atritos. Existem alguns dado estadísticos sobre o desenvolvimento dos projetos. Podemos achá-los em INTERNET. Esses dados falam por si só.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: