Gestão DE projetos de software ou Gestão EM projetos de software?

Um dos pontos predominantes na gestão EM um projeto é a organização e institucionalização de um processo de produção. É justamente neste item que se localiza o “calcanhar de Aquiles” das empresas de software. Nós, analistas de sistemas e engenheiros de software, temos a capacidade à técnica para organizar o processo nos mais variados domínios do conhecimento, porém somos medíocres quando se trata da organização do processo de produção de nossa própria empresa. Com um pensamento ordenado e estruturado as suas chances de sucesso em um projeto de software são muito maiores. Seu trabalho é menor. Sua capacidade produtiva aumenta.

A gestão EM projetos de software possui uma amplitude conceitual que foge aos olhos da maioria dos gerentes. A gestão deve transpor a “simples” capacidade cumprir os custos e prazos pré-estabelecidos na atividade planejamento, ou seja, não devemos nos ater somente na gestão DE projetos, é necessário implementar a gestão EM projetos.    

A capacidade gerencial EM um projeto de software deve levar em considerações outros fatores:

1 – Gestão da qualidade: Alicerçada sobre dois pilares: qualidade do produto e qualidade do processo. No primeiro é necessário verificar se as necessidades pré-estabelecidas pelos clientes estão implementadas no produto. No segundo, é importante analisar se o processo está organizado, estruturado para produzir subprodutos de qualidade. Lembre-se que a institucionalização de um processo de qualidade leva, na maioria das vezes, a qualidade do produto.

2 – Gestão de configuração: Conjunto de ações (ou tarefas) que possibilitam identificar os produtos, em nosso caso todos os artefatos gerados pelo processo de software, estabelecendo um relacionamento entre eles. A gestão de configuração também é responsável por subsidiar a atividade de gerenciamento EM projetos, pois esta necessita controlar as diferentes versões geradas para um mesmo produto. Em suma, a referida gestão tem como objetivo responder as seguintes perguntas: Qual artefato do processo foi mudado? Quando ocorreu a mudança? Quem foi o responsável pela mudança? Qual o impacto que a mudança irá gerar?

3 – Gestão de expectativa: Caracterizada pelo estabelecimento de uma relação harmoniosa entre clientes internos e externos. Definir ciclos curtos para entregar os subprodutos gerados durante o projeto de software, respeitar os prazos, surpreender os clientes, gerar novas expectativas, realimentando assim, o ciclo deste tipo de gestão, são pontos importantes e merecem destaque.

4 – Gestão de risco: Minimizar as condições que comprometam ou impendem à realização de alguma parte projeto, é uma das prerrogativas embutidas neste tipo de gestão.

5 – Gestão de escopo: Escopo é a linha que une o ponto em que você está ao ponto que você deseja chegar. Delimitar, de maneira recorrente, as necessidades, os produtos e as pessoas que pertencem a esta linha contextualizam este tipo de gestão.

6 – Gestão de aquisição: Caracterizada pelo estabelecimento de um conjunto de atividades e critérios que possibilita a obtenção de bens e serviços fora dos limites organizacionais.

A grande dificuldade das empresas produtoras de software é alinhar, de maneira eficaz, as formas gestão descritas. Elas praticam (quando praticam…) a gestão DE projetos, ou seja, atentam somente para os aspectos temporais e custodiais. O EM é o ponto comum a todas as formas de gestão delineadas neste post.

É importante ressaltar que existem diversos modelos que possibilitam a troca do DE pelo EM, MPS-BR, CMMI e o PMBOK são exemplos claros.

Que os gerentes de projetos DÊEM o melhor de si para transpor as preposições maximizadas neste texto.

Abraços

5 Responses to “Gestão DE projetos de software ou Gestão EM projetos de software?”

  1. Hector Rodriguez Says:

    Acredito que estamos caindo em problemas de definicao. Uma coisa é o PROJETO (Preparacao e avaliacao ex-ante), a GESTAO DE / EM PROJETO e a OPERACAO. Sao momentos muito diferentes, com objetivos diferentes. Seria muito útil conhecer bem os limites de cada um desses momentos.
    O primeiro deles (o PROJETO), implica os estudos para a aplicacao de um esforco ($), com a intencao de mudar uma situacao inicial, avaliando ex-ante a eficiencia dessa aplicacao. Para isto far-se-ao os diferentes estudos pertinentes, mínimamente de MERCADO, de ENGENHARÍA e FINANCEIRO. Aqui ja podería se encontrar algumas das razoes da falta de sucesso (a viabilidade real).
    O segundo (a GESTAO DE / EM PROJETO), é um conjunto de capacidades e habilidades desenvolvidas pelas empresas (conhecimento, aptitudes, atitudes, ferramentas e técnicas) destinadas a planificacao, execucao, controle e conclucao de eventos nao repetitivos, únicos e complexos, num cenario mínimamente de tempo, custo, qualidade e quantidade previamente determinados. As razoes de falta de sucesso sao bem diferentes aqui: Ma comprensao das motivacoes do projeto, Objetivos pouco claros, Problemas de requerimentos e especificacoes, Carencia de suporte do nivel estratégico, Dificuldades de Comunicacao, entre outros.
    O terceiro (a OPERACAO), implica a Planificacao, Organizacao, Direcao e Controle de um esforco ($) contínuo, estável, repetitivo e consistente de remunerar o capital, a travez de processos eficientes. A falta de sucesso, neste ponto se encontra vinculado ao processo principal de qualquer empresa que procura lucro: obtencao de lucratividade satisfatoria para os investidores.
    A partir destas definicoes podemos visualizar claramente, que dependendo do momento em que se encontra o profissional terá de enfrentar diferentes desafíos. Isto é cada uma das variaveis mencionadas tem em si mesmas suficientes elementos para a falta de sucesso de um emprendimento.

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  3. Higor Montoro Says:

    Um ponto que observo na gestão DE ou EM projetos de software está em: Qual o real objetivo da instituição quando a mesma decide institucionalizar um modelo de desenvolvimento/processos? Um dos problemas é que a adoção de um modelo, como por exemplo o CMMI, é realizada de maneira reativa a uma exigência e não de forma pro-ativa, ou seja, a adoção é feita para se obter um título que é exigido para licitações e contratos, porém, deveria ser vislumbrado para o aperfeiçoamento dos processos e da gestão dos mesmos.

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