Será que o reinado indiano terá fim?

Quando nos referimos a produção e exportação de software naturalmente nos lembramos dos indianos. Até meados de 2008 eles possuíam cerca de 320 empresas avaliadas sob a ótica do modelo CMMI. Cerca de 50% destas empresas encontravam-se no nível 5. Para efeitos comparativos, na mesma época o Brasil ocupava a oitava posição em número de empresas certificas (79 ao todo), porém somente 8 destas estavam posicionadas no referido nível.

Em março de 2009 o SEI publicou um novo relatório, nele é perceptível uma grande evolução dos chineses em relação aos indianos. Este post vai de encontro a este fato e faz uma provocação a todos os interlocutores deste blog:

A China irá superar a Índia na questão da qualidade de software?

Vamos aos números:

De abril de 2002 a dezembro de 2008 o SEI avaliou, sob a ótica do modelo CMMI, 4134 instituições (empresas/organizações) que produzem software. Destas, apenas 28,6% são americanas (no penúltimo relatório esse percentual era de 31,4%). Do total (4134), cerca de:

  • 1.1% encontram-se no nível 1 (contra 1,5 no último relatório);
  • 30,2% encontram-se no nível 2 (contra 33% no último relatório);
  • 48,3% encontram-se no nível 3 (contra 45%);
  • 2,9% encontram-se no nível 4 (contra 2,5%);
  • 9,8% encontra-se no nível 5 (contra 11%).
  • 14,1% possuem até 25 colaboradores;
  • 18,3% possuem entre 26 a 50;
  • 13% possuem entre 51 a 75;
  • 8,2% possuem entre 76 a 100;
  • 19,6% possuem entre 101 a 200;
  • 8,5% possuem entre 201 a 300;
  • 6,9% possuem entre 301 a 500;
  • 6% possuem entre 500 a 1000;
  • 3,3% possuem entre 1001 a 2000;
  • e 2,1% possuem mais que 2000 colaboradores.  

Na África foram realizadas 47 avaliações (contra 38 no penúltimo relatório), na Ásia 1901 (1354), na América do Norte 1328 (1080), na Europa 536 (403), na Oceania 33 (30) e, por fim, na América do Sul 208 avaliações (contra 243 no penúltimo relatório).

Veja a classificação dos países que possuem mais de 10 instituições avaliadas (excluindo os Estados Unidos)

Ordem: número de empresas avaliadas

 

n. avaliações

nível 1

nível 2

nível 3

nível 4

nível 5

1 – China

745

1

117

540

27

41

2 – India

409

 

14

191

24

166

3 – Japão

257

17

75

121

13

16

4 – França

141

4

81

45

1

2

5 – Coréia

138

1

47

61

13

7

6 – Tawian

117

1

74

38

 

2

7 – Brasil

106

1

50

42

1

9

8 – Espanha

105

1

60

35

2

4

Reino Unido

93

3

42

30

1

3

Argentina

64

 

45

12

2

3

Alemanha

64

9

32

11

1

1

México

57

 

24

25

3

4

Malásia

56

 

20

31

 

5

Canadá

51

1

12

22

5

3

Egito

34

1

17

11

2

2

Australia

32

1

7

5

2

5

Itália

31

 

14

14

   
Chile

30

 

17

10

 

2

Tailândia

27

 

12

13

 

1

Paquistão

25

1

18

4

 

1

Colômbia

22

 

7

11

1

2

Filipinas

21

 

2

11

 

7

Singapura

19

 

3

10

1

4

Hon Kong

18

 

2

11

 

5

Israel

17

 

3

10

 

2

Turquia

14

   

12

 

2

Vetnã

12

   

9

1

2

 

Ordem: número de empresas certificadas CMMI-5

 

n. avaliações

nível 1

nível 2

nível 3

nível 4

nível 5

1 – Índia

409

 

14

191

24

166

2 – China

745

1

117

540

27

41

3 – Japão

257

17

75

121

13

16

4 – Brasil

106

1

50

42

1

9

5 – Coréia

138

1

47

61

13

7

6 – Filipinas

21

 

2

11

 

7

7 – Malásia

56

 

20

31

 

5

8 – Australia

32

1

7

5

2

5

9 – Hon Kong

18

 

2

11

 

5

10 – Epanha

105

1

60

35

2

4

México

57

 

24

25

3

4

Singapura

19

 

3

10

1

4

Reino Unido

93

3

42

30

1

3

Argentina

64

 

45

12

2

3

Canadá

51

1

12

22

5

3

França

141

4

81

45

1

2

Tawian

117

1

74

38

 

2

Egito

34

1

17

11

2

2

Chile

30

 

17

10

 

2

Colômbia

22

 

7

11

1

2

Israel

17

 

3

10

 

2

Turquia

14

   

12

 

2

Vetnã

12

   

9

1

2

Alemanha

64

9

32

11

1

1

Tailândia

27

 

12

13

 

1

Paquistão

25

1

18

4

 

1

Itália

31

 

14

14

   

Além das 745 empresas avaliadas a China vem crescendo exponencialmente ano a ano. É possível perceber uma grande disparidade quando comparamos à taxa de crescimento da potência oriental à taxa indiana, brasileira e japonesa – veja o gráfico abaixo.

Crescimento semestral (2/2003) do Brasil, China, Índia e Japão em número de empresas avaliadas no CMMI
Crescimento semestral (2/2003) do Brasil, China, Índia e Japão em número de empresas avaliadas no CMMI

 

 

 

 

Além do crescimento no número de empresas avaliadas, outros dados chamam a atenção:

a – A China obteve um aumento de 50% no número de empresas no nível 4 e de 84,30% no nível 3 nos últimos 12 meses. No mesmo período os indianos cresceram 9,09% e 50,39% para os respectivos níveis.

b – A taxa de crescimento dos chineses para o nível 5 atingiu 20,59% no último ano. A Índia chegou a casa de 9,93%.

 

2º  Sem/2007

1º Sem/2008

2º Sem/2008

 

nível3

nível4

nível5

nível3

nível4

nível5

nível3

nível4

nível5

Brasil

31

1

8

35

1

8

42

1

9

Índia

127

22

151

156

22

158

191 (50,39%)

24 (9,09%)

166 (9,93%)

Japão

88

13

14

103

13

15

121

13

16

China

293

18

34

395

22

39

540 (84,30%)

27 (50%)

41 (20,59%)

De posse da análise quantitativa é possível concluir que:

1 – Com um maior no número de certificações no nível 3 e no nível 4 é possível que os chineses aumentem o número de empresas certificadas no nível 5, quando comparados aos indianos.

2 – Somente sob a ótica do nível 5:

a)       A taxa de crescimento chinesa para o referido nível é 10,66% superior a taxa de crescimento indiana.

b)       se a taxa de crescimento dos chineses e dos indianos forem mantidas, em 15 anos a China terá o maior número de empresas certificadas no nível 5.

c)        se os chineses aumentarem a sua taxa de crescimento em 5%, o prazo acima cai para 10 anos.

d)       se a taxa de crescimento brasileira não aumentar o número de cerificação no referido nível, nosso país nunca superará indianos, chineses e japoneses.

Enfim, contra fatos não há argumentos, chineses e indianos disputarão, nos próximos anos, palmo a palmo a liderança em números de empresas certificadas no nível 5. Este blog estará de olho nos próximos relatórios do SEI.

Será que não seria interessante mudar a pergunta…

Quanto tempo os chineses levarão para superar os indianos?

José Augusto Fabri

fabri@femanet.com.br

6 Responses to “Será que o reinado indiano terá fim?”

  1. A maior vantagem competitiva da Índia não é o índice de empresas certificadas em CMMI-5 e sim a fluência em Inglês de quase 100% dos profissionais de TI o que lhes permite uma aderência muito maior na exportação de serviços.
    E como é muito difícil se manter em primeiro ( em qualquer tipo de competição ) a China vem ao longo de alguns anos dando incentivos á prestação de serviços de TI, principalmente para a própria demanda externa.
    Uma coisa é certa, com a nossa mentalidade de Engenharia de Software, jamais competiremos com as fábricas de software estrangeiras, entretanto, o produto final de software brasileiro é de extrema qualidade, mas peca em fatores essenciais desde a venda do projeto até o suporte.
    Acho que a análise da SEI foi muito estreita, pois não trás o montante em US$ lucrado pelas empresas para avaliarmos a eficiência financeira, pois não adianta ser nível CMMI-5 e não poder cobrar por isso.

  2. Fala, Gutão.

    Cara, como está a questão da compatibilidade entre o CMMI e os métodos ágeis? Li recentemente num artigo da ACM Communications (vou enviar o PDF para você) que os caras fizeram um teste para métodos ágeis para sistemas de grande porte (até então o pessoal da comunidade indicava métodos ágeis para projetos de médio e pequeno porte) e chegaram nas seguintes conclusões (tiradas do próprio artigo):

    In 2004, the Office of Secretary
    of Defense sponsored the launch
    of W2COG, the World Wide Consortium
    for the Grid (w2cog.org) to help
    advance networking technology for
    defense using open-development processes
    such as in the World Wide Web
    Consortium (w3c.org). The W2COG
    took advantage of a provision of acquisition
    regulations that allows Limited
    Technology Experiments (LTEs).
    The W2COG recently completed
    an experiment to develop a secure
    service-oriented architecture system,
    comparing an LTE using evolutionary
    methods against a standard acquisition
    process. Both received the same
    government-furnished software for
    an initial baseline. Eighteen months
    later, the LTE’s process delivered a
    prototype open architecture that addressed
    80% of the government requirements,
    at a cost of $100K, with
    all embedded software current, and
    a plan to transition to full COTS software
    within six months.
    In contrast, after 18 months, the
    standard process delivered only a concept
    document that did not provide a
    functional architecture, had no working
    prototype, deployment plan, or timeline,
    and cost $1.5M. The agile method
    produced a “good enough” immediately
    usable 80% success for 1/15 the cost of
    the standard method, which seemed
    embarked on the typically long road to
    disappointment.

    Hoje sem dúvida, CMMI é uma referência para questões contratuais, mas em face aos métodos ágeis, até quando isso vai durar se mais pesquisas como essa surgirem?

    Grande abraço.

  3. […] Mais um semestre Chinês Ao publicar o post será que o reinado indiano terá fim  defendi a tese que se os chineses crescessem 10% ao ano o número de certificações no nível 5, […]

  4. […] segundo foi publicado em 03 de setembro de 2009 e apresenta os resultados do segundo semestre de […]

  5. […] tempo venho acompanhando o crescimento do CMMI no mundo, vejo o histórico: post 1, post 2, post 3, post 4,  post 5 e post 6. Neste post apresento os últimos resultados divulgados pelo […]

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