Para que simplificar se podemos complicar

Toda vez que sou convidado a falar sobre a redação de um processo de produção de software utilizo, como exemplo, uma adaptação da entrevista de Gehringer apresentada pela rádio CBN.  

Segue a transcrição da entrevista:

Joãozinho, um funcionário exemplar de uma grande empresa, foi promovido a gerente. É isso ai Joãozinho, meus parabéns, agora você tem o direito de tecer opiniões sobre o planejamento estratégico da referida organização.

No primeiro dia em sua nova função, Joãozinho recebeu um documento – o planejamento estratégico – um calhamaço de 150 páginas. Depois de ler várias vezes, não entendeu nada. Ele não conseguia enxergar uma relação direta entre o planejamento estratégico e as coisas que aconteciam no dia-a-dia da empresa.

Joãozinho, bem-vindo ao mundo real. Você entrou para o time das pessoas que complicam em vez de simplificar. Com certeza o documento foi redigido em outro idioma, o português corporativo. Uma língua extremamente complicada que não é falada e somente escrita. Vou apresentar 3 exemplos de coisas muito simples, que ao serem escritas no português corporativo “agregam um valor imenso”.

1 – Implementar a substituição estratégica de  um equipamento periférico que gere um alto grau de luminosidade ao ambiente criativo. Traduzindo, troque a lâmpada queimada.

2 – Avaliar a necessidade de um programa emergencial de governança financeira doméstica balançada. Ou seja, pare de estourar a cheque especial.

3 – Esquematizar uma agenda de atividades gerenciais de maneira a criar um gap vital para atender os clientes internos em sua organização. Traduzindo, converse sempre com seus colaboradores.

Joãozinho lembre-se, agora você ganhou o direito de complicar. Então… relaxe e complique. Se demonstrar competência para isto, você será promovido a diretor.

Engenheiros, SQAs, analistas de sistemas, fujam das complicações, simplifiquem… institucionalizar um processo de produção de software caracteriza-se como a implementação da ciência do óbvio.

Abraços

José Augusto Fabri

fabri@femanet.com.br

2 Responses to “Para que simplificar se podemos complicar”

  1. André Dario Says:

    Nunca ví uma complicação tão perfeita da realidade, e isso realmente acontece em (Quase todas) as organizações que conhecemos hoje…

  2. Muito bom este post!
    Tenho tentado alertar sobre as coisas “basicas” da engenharia de software a algum tempo. Atualmente começei um blog cuja ideia e “bater de frente” de leve… para sacudir os neurônios um pouco.
    De uma lida para ver se gosta.

    “para achar o equilibrio o pendolo precisa conhecer o lado oposto..”
    http://wdavilaneto.blogspot.com

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