Gestão de expectativa para minimizar a rotatividade de empresas de TI

A Teoria das Expectativas foi desenvolvida pelo psicólogo Victor Vroom. Esta teoria procura explicar questões relacionadas à motivação humana. Vroom propõe que o processo de motivação deve ser delineado a partir dos objetivos e das escolhas de cada indivíduo e das suas expectativas em atingir a esses mesmos objetivos. Sinteticamente, o autor defende que a força motivacional (M) de um determinado indivíduo, corresponde ao produto do valor atribuído a um objetivo (V) pela expectativa de alcançar esse objetivo (E). Neste caso temos:

M = V * E.

M: força motivacional;

V: Valor de um objetivo;

E: expectativa de alcançar esse objetivo.

Tendo em vista que o valor de objetivo é intrínseco ao indivíduo eu proponho que: A gestão de parte do processo motivacional deve ser efetuada, somente, sobre a expectativa (E).

Para defender esta proposição vou partir de duas características inerentes a qualquer indivíduo que influem diretamente na composição do valor de um objetivo (V).

Autoconhecimento: A pessoa (ou indivíduo) tem a noção exata de seu conhecimento (saber-se). A capacidade de promover uma autoavaliação sistemática e constante é inata a este tipo pessoa.

Conhecimento do ambiente: o ambiente no qual o indivíduo está imerso é analisado constantemente. Opções, tendências, limitações e alternativas de desenvolvimento pessoal e profissional fazem parte do metiê desta pessoal.

Tanto o autoconhecimento como o conhecimento do ambiente são internalizados pela própria pessoa, ou seja, estas características não fazem parte de um processo de ensino e aprendizagem. Eu não consigo ensinar (ou aprender) autoconhecimento e conhecimento do ambiente.

De posse destas características (intrínsecas) um determinado indivíduo determina, por meio de referenciais individuais, seus objetivos e atribui um valor (ou prioridade a eles). Perceba que este valor pertence à pessoa (ele foi atribuído segundo o autoconhecimento e o conhecimento do ambiente), somente ela possui o poder de alterá-lo. Este fato valida a proposição destacada neste texto: A gestão de parte do processo motivacional deve ser efetuada, somente, sobre a expectativa (E).

O problema passa a ser a composição da variável E.

Neste post vamos estabelecer diretrizes de composição para esta variável que possibilite minimizar a rotatividade de pessoal em empresas de TI. Importante: você pode estabelecer diretrizes de composição da variável E em outros contextos.

O processo de composição da variável E:

Vamos supor que um desenvolvedor de software possui um grande conhecimento em .NET – ele sabe disso – AUTOCONHECIMENTO. O ambiente (neste caso de mercado) possui excelentes oportunidades para trabalhar com JAVA – o desenvolvedor também sabe disso – CONHECIMENTO DO AMBIENTE.  De posse destas informações ele estabelece como objetivo: “aprender Java e conseguir uma melhor oportunidade de trabalho”. O objetivo, delineado, possui prioridade para o desenvolvedor. Neste caso o valor do objetivo (V) é alto.

Enquanto empresa, como eu posso gerir a expectativa deste colaborador?

Componha a variável E tendo em vista 4 diretrizes:

1 – estabeleça ciclos (curto) para o atendimento dos objetivos: Insira este desenvolvedor em um projeto JAVA ou proporcione um treinamento nesta tecnologia para este desenvolvedor. Importante: não desligue o desenvolvedor dos projetos .NET, lembre-se que você necessita do conhecimento dele dentro destes projetos.

2 – proponha desafios focados nos objetivos: Por exemplo, você pode desafiar o seu desenvolvedor a construir um produto (ou uma funcionalidade, ou um componente) em Java. O sentimento de aprendizado aliado ao valor agregado para a empresa irá imergir junto ao desenvolvedor.

3 – Surpreenda o seu colaborador: Você pode estabelecer prêmios e participação no lucro do projeto se o desenvolvedor superar as metas traçadas na proposição dos desafios. Isso pode aumentar a expectativa do desenvolvedor junto a empresa.

4 – Proponha outros objetivos junto ao seu colaborador. Será que o desenvolver não vislumbra conhecer a fundo um framework, o Struts por exemplo. Proporcione que esses objetivos sejam atingidos – retornando a diretriz 1.

Perceba que ao detectar que o colaborador possui um objetivo e este se traduz em uma nova perspectiva de trabalho (rotatividade), as diretrizes apresentadas neste post sugerem que você componha a variável E de forma rápida, com elementos desafiadores, com a possibilidade de crescimento, e com a capacidade de atingir novos objetivos. Em hipótese alguma podemos zerar E, pois:

M = V * 0

M = 0.

José Augusto Fabri – fabri@utfpr.edu.br

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