O lúdico aplicado na melhoria de um processo de software

Posted in processo de produção de software, qualidade de software on March 31, 2014 by José Augusto Fabri

Várias pessoas questionam o motivo que me levou a construir bonecos e pipas durante os programas de melhoria de processo. O texto abaixo justifica a utilização de tais práticas.

Vários programas de melhoria de processo são abortados durante a sua implementação. Este problema é recorrente em empresas do segmento produtivo de software, pois os responsáveis pela implementação dos referidos programas encaram os modelos de qualidade (CMMI e MPS-BR) como uma “camisa de força, ou seja, as formas de implementação das áreas chaves do processo, propostas pelos referidos modelos, são interpretadas como verdade absoluta.

Durante a melhoria de um processo de software os colaboradores de uma determinada empresa devem alterar a sua forma de trabalho. Novas atividades ou tarefas devem ser inseridas na estrutura do processo, formulários que antes não eram preenchidos passam a ser e, principalmente, aspectos ligados à produtividade e qualidade são questões de suma importância.

Algumas empresas alteram a sua cultura de trabalho durante a execução do plano de melhoria de processo. Trabalhar, como consultor, dentro de um ambiente permeado por estas situações requer certo “jogo de cintura”. É necessário sair do trivial, treinamentos e possíveis alterações na forma de trabalho devem ser implementadas com parcimônia. Técnicas diferenciadas, com foco nas áreas chaves do processo, devem ser atacadas com eficiência e eficácia. A motivação dos envolvidos se caracteriza como um fator crítico de sucesso.

Dentro deste prisma acredita-se que os aspectos inerentes à melhoria de processo de software são suportado por questões ligadas ao ensino e aprendizagem. Ambos ocorrem em duas vias, hora os membros de uma consultoria (em melhoria de processo) compartilham o seu conhecimento com os envolvidos no ambiente produtivo – o ensino – em outros momentos são os envolvidos que agregam ao portfólio da consultoria – a aprendizagem.

Para compor um ambiente de ensino e aprendizagem (de mão dupla) altamente motivador, é necessário trabalhar o conceito do lúdico. A motivação tem como foco proporcionar prazer por meio do desenvolvimento de uma determinada atividade, e uma das formas de obter esse prazer é utilizar o referido conceito.

Salienta-se que os envolvidos com o aspecto produtivo de software, na maioria das empresas, são oriundos de vários ambientes. A diversidade na formação, na origem regional, no aspecto cultural e, principalmente, na experiência caracteriza-se como uma constante. Este fato alinha-se diretamente com uma dos principais pressupostos relacionados a aprendizagem.

“a aprendizagem humana pressupõe uma natureza social específica e um processo por meio do qual os aprendizes penetram, de forma diferenciada, dada a sua diversidade, na vida intelectual daqueles que o cercam” (Vygosky (1991)).

De posse do pressuposto destacado e assumindo que todos os envolvidos em um programa de melhoria de processo concebem representações sobre um determinado objeto (forma de trabalho, formulário a ser preenchido, padrão a ser seguido) por meio de suas práticas sociais (a diversidade na formação, na origem, na cultura, na experiência), e essas representações são delineadas a partir do grau de interesse e de qualidade (da informação obtida ou do produto gerado) proporcionadas pelo objeto; concluí-se que os atores sociais imersos no processo de ensino e aprendizagem estabelecem um relacionamento de simbolização/interpretação para com o objeto manipulado. É, justamente, este relacionamento que configura o significante e o significado do objeto.

O significante caracteriza-se como o signo linguístico é uma “imagem acústica” – sua consistência está na forma do objeto. O significado provê ao ator questões relacionadas ao conteúdo – o que eu posso fazer com o objeto.

O significado é assimilado por meio de uma rede de conhecimento pré-estabelecida pelos atores (envolvidos em um programa de melhoria de processo) é, esse tipo de rede que se encontra a origem e a permanência da simbolização/interpretação dos objetos.

Diversos teóricos da área pedagógica (diSessa et. al. (1982, 1983, 1985, 1988, 1993). Smith et. al. (1993), Clement (1983), McCloskey (1983), Resnick (1983)) têm como premissa que as concepções prévias devem ser compreendidas como parte ativa do desenvolvimento da simbolização/interpretação. Durante a institucionalização (ou melhoria) de um processo, para um determinado meio (ambiente produtivo de software), num mesmo tempo e num mesmo espaço (células produtivas do ambiente – por exemplo: célula de teste) teremos, para cada colaborador diferentes formas de simbolização/interpretação.

Dentro do contexto delineado, é possível delimitar a construção do conhecimento nos aspectos primitivos fenomenológicos, estruturas elementares obtidas por abstrações simples, fracionadas, que se relacionam entre si, com o objetivo de promover um determinado significado.

Segundo Kishimoto (1999), as técnicas lúdicas podem se relacionar de forma perspicaz com as estruturas elementares obtidas pelas abstrações. Estas técnicas são criadas com o objetivo de estimular o processo de aprendizagem. De nada adianta institucionalizar, durante o programa de melhoria de processo, questões ligada à produtividade, qualidade e gerência, se estas não se constituem conceitualmente para todos os envolvidos com o ambiente produtivo de software. Não se espera, por parte dos envolvidos, concepções alternativas sobre as questões delineadas, se estes não estiverem engajados no programa de melhoria. É necessário seduzir  o que lhes é apresentado, que encontrem o verdadeiro significado das atividades/tarefas (do processo), para que possam compreender a importância de um programa de melhoria. As práticas lúdicas vão de encontro à sedução supracitada.

É por meio do lúdico que os envolvidos em um ambiente de melhoria de processo são livres para determinar suas ações. A essência do brincar e a criação de uma nova relação entre os objetos, inerente a uma determinada área chave do processo, podem promover um ganho substancial no tempo e na qualidade de todo programa de melhoria. O brincar se constitui em um processo de extrema importância a favorece as transformações internas de um determinado ambiente.

Por fim, é importante discutir o lúdico como ideia de divertimento, um fazer humano amplo, que vai além de brincadeiras e jogos, traduzindo o sentimento, as atitudes de um sujeito envolvido em uma determinada ação, referindo-se ao prazer da celebração em função de envolvimento efusivo, transpondo a sensação de plenitude que acompanha significados verdadeiros dos brinquedos (em nosso caso, os objetos).

É dentro deste panorama que modelo de processo não pode ser encarado como uma “camisa de força”.

J. A. Fabri – fabri@utfpr.edu.br

Iniciação Tecnológica da UTFPR – Cornélio Procópio gera Plugin astah para contagem de pontos por função

Posted in Ferramentas, gestão de projetos on March 24, 2014 by José Augusto Fabri

brÉ com satisfação que comunico a lançamento (versão beta) do Plugin para contagem de pontos por função em um projeto de software.

O plugin é fruto de um Projeto de Iniciação Tecnológica (PIBIT) da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Campus Cornélio Procópio.

Allan Mori, aluno do curso de Engenharia da Computação, trabalha ativamente na implementação do plugin sob minha orientação.

O Plugin está disponível para a versão 6.7.x do astah professional.

A versão 0.9 do plugin se caracteriza-se como uma  versão beta e tem como objetivo colher melhorias junto a comunidade da engenharia de software.

Link para download do plugin

Link para download da forma de utilização do plugin.

Para sabe mais sobre a teoria de pontos por função acesse: http://wp.me/pcuYv-zd

Parabéns Allan pelo trabalho realizado.

J. A. Fabri – fabri@utfpr.edu.br

Kanban em quadrinhos

Posted in gestão de projetos on March 17, 2014 by José Augusto Fabri

Pessoal, no início do ano tive que apresentar o Kanban a uma empresa de produção de software. Na apresentação utilizei uma estória em quadrinhos. Compartilho com vocês o quadrinhos utilizados.

kanban em quadrinhos

J. A. Fabri – fabri@utfpr.edu.br

A otimização da produtividade em uma empresa de software

Posted in gestão de projetos, processo de produção de software on March 10, 2014 by José Augusto Fabri

Muitos alunos, programadores, engenheiros e empresários me questionam: Como otimizar a produtividade dentro de uma empresa de software?

Minha resposta é direta, o aumento da produtividade está alinhado com o aumento do reuso dos artefato do processo software. Ou seja, mais componentes reutilizáveis dentro do ambiente de produção proporciona menos manutenção de seus produtos e uma melhoria significativa no tempo de produção. Dentro deste contexto você terá maior eficiência, aumentando o valor agregado de seu produto e fortalecendo o seu portfólio. Sua empresa deve se manter no quadrante verde da figura abaixo.

A ausência de um processo e ineficiência na gestão de projetos levam as empresas não praticar plenamente o reuso de software (em todos os níveis: código, artefatos … ). Este fato leva as empresas a trabalharem grande parte do tempo na manutenção corretiva e customizações  das funcionalidades. Ineficiência produtiva, menor valor agregado dos produtos e o enfraquecimento dos portfólios configuram as empresas dentro deste contexto (quadrante vermelho da figura).

reuso-produtividade

Existem empresas de software que desenvolvem para vários domínios do conhecimento, essas, por sua vez, estão impossibilitadas de praticar um alto grau de reuso, e mantém a sua produtividade com um número maior de colaboradores.

Por fim, as empresas que possuem uma base de componentes estável com uma baixa produtividade têm problemas com a prospecção de clientes e fechamento de contratos (quadrante amarelo).

Em qual quadrante se localiza sua empresa?

José Augusto Fabri – fabri@utfpr.edu.br

CMMI – número de certificações – 2013

Posted in processo de produção de software on January 8, 2014 by José Augusto Fabri

CMMI (Capability Maturity Model – Integration ou Modelo de Maturidade em Capacitação – Integração) caracteriza-se como um modelo de referência permeado por práticas (Genéricas ou Específicas) que se relacionam diretamente com a maturidade das das áreas do conhecimento da Systems Engineering (SE – Engenharia de Sistemas), Software Engineering (SW – Engenharia de Software), Integrated Product and Process Development (IPPD – Desenvolvimento Integrado de Processo e Produto) e Supplier Sourcing (SS).

O modelo foi desenvolvido pelo SEI (Software Engineering Institute) da Universidade Carnegie Mellon. Atualmente, o CMMI se caracteriza como uma uma evolução do CMM.

O CMMI é dividido em 5 níveis de maturidade, as empresa classificadas no nível 1 possuem um process ad-hoc, já as emrpesas classificados no nível 5 possuem um processo institucionalizado e otimizado. Geralmente empresas com um processo bem definido, produzem mais e com maior qualidade.

O SEI divulga sistematicamente o número de empresas avaliadas e o número de empresas certificadas. O Figura abaixo apresenta as empresas que possuem um número maior de certificações no nível 5 – classificação efetuada em setembro de 2013.

cmmi sep 2013

O relatório completo sobre as avaliações efetuadas pelos SEI podem ser obtidas neste link.

José Augusto Fabri – fabri@utfpr.edu.br

Problemas mais frequentes na gestão de projeto

Posted in gestão de projetos on January 7, 2014 by José Augusto Fabri

Segundo o pmsurvey.org (uma pesquisa anual , organizada voluntariamente pelos Chapters do PMI – Project Management Institute de diversos países) os problemas mais frequentes na gestão de projeto são:

  • Comunicação (66,3% dos projetos);
  • Escopo (59,2%);
  • Cumprimento de prazos (55,8%);
  • Insuficiência de recursos humanos (47,6%);
  • Riscos (44,6%);
  • Estimativas (42,5%).

É importante salientar que a pesquisa congrega informações de 676 organizações.

Ao analisar o relatório na íntegra é possível perceber que existe uma relação direta entre os problemas citados. Vamos a ela:

  • Problemas relacionados à falta de comunicação geram escopo incompletos, este fato já discutido por este blog, esta discussão é retratada no posts 1 e 2.
  • Escopo incompleto gera estimativas incorretas.
  • Com estimativas incorretas é impossível definir prazos e recursos consistentes. Dentro deste contexto o risco do projeto falhar é enorme.

Concluindo: Em um projeto prefira palavras que salvam em detrimento as palavras que agradam.

José Augusto Fabri – fabri@utfpr.edu.br

Prêmio Nobel denuncia revistas de alto impacto e diz que distorcem a ciência

Posted in off topic on January 7, 2014 by José Augusto Fabri

Fonte: Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior – ANDES-SN – Data: 03/01/2014 -http://www.andes.org.br/andes/print-ultimas-noticias.andes?id=6545

O ganhador do Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 2013, Randy Schekman, denuncia as revistas científicas pela mercantilização da ciência. Em artigo publicado no jornal inglês The Guardian, em dezembro do ano passado, ele afirma que os incentivos oferecidos pelas principais revistas distorcem a ciência.

Atento à mercantilização da pesquisa, ele diz no artigo que as decisões editoriais das grandes revistas científicas são guiadas por interesses comerciais, não apenas científicos, e que a cultura de supervalorização dessas publicações como estandartes de qualidade é prejudicial à ciência como um todo.

Também em dezembro de 2013, o ANDES-SN fez denúncia semelhante em reportagem da Revista Dossiê Nacional Precarização II, o “Desvio ideológico na concepção do mérito acadêmico” provocado por esse sistema de produção igualmente conhecido com “mcdonaldização” da ciência. (Leia aqui).

Schekman classifica esses periódicos de “revistas de luxo” e um de seus argumentos principais para denunciá-los é que eles “publicam muitos trabalhos importantes (outstanding), mas não só trabalhos importantes; nem são elas as únicas que publicam pesquisas importantes”.

O pesquisador destaca que muitas vezes a escolha do que é publicado ou rejeitado nessas revistas baseia-se numa avaliação de impacto que não reflete necessariamente ou unicamente a qualidade e/ou a importância de um trabalho, mas também a repercussão na mídia e o número de citações que ele poderá trazer para a revista.

Em outras palavras, as pesquisas não são avaliadas apenas pelo seu impacto científico, mas também pelo seu potencial impacto midiático e econômico. Pois são revistas comerciais, que cobram caro pelo seu conteúdo e precisam vender assinaturas para sobreviver financeiramente.

No artigo, Schekman denuncia exatamente o que os pesquisadores brasileiros Roberto Leher, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Carlos Saito, da Universidade de Brasília (UnB); e Maria Suely Leonart, da Universidade Federal do Paraná (UFPR),  revelam na Dossiê Nacional Precarização II.

Ele diz que é preciso levar em conta que o fator de impacto é uma nota média, baseada no total de citações recebidas por todos os trabalhos publicados numa revista ao longo de um determinado período, e que mesmo o fato de um trabalho ser muito citado não significa, automaticamente, que ele seja muito importante. “Um trabalho pode ser muito citado porque é boa ciência, ou porque é chamativo, provocativo ou incorreto”, escreve Schekman.

“Os editores das revistas de luxo sabem disso, por isso aceitam trabalhos que vão repercutir porque tratam de assuntos que são ‘sexy’ ou propõem conclusões desafiadoras. Isso influencia a ciência que os cientistas produzem; construindo bolhas de ‘pesquisa fashion’ nas quais os pesquisadores podem fazer propostas ousadas que essas revistas desejam, e desencorajando a realização de outras pesquisas importantes, como a replicação de resultados”, diz o pesquisador.

Open access
Como alternativa a esse modelo, Schekman defende a publicação em revistas de acesso livre na internet (open access journals), sem fins lucrativos. De 2006 a 2011, ele foi editor-chefe da Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), a revista científica da Academia Nacional de Ciências dos EUA — também uma revista de alto impacto, mas não tanto como Nature e Science.

Em 2012, ele assumiu o posto de editor-chefe da eLife, uma revista online de acesso livre criada pelo HHMI, a fundação britânica Wellcome Trust e a Sociedade Max Planck, da Alemanha. A proposta da eLife é ser uma revista “para cientistas, editada por cientistas”, livre de interesses comerciais (para mais informações, assista ao vídeo clique aqui)

Para entender a lógica dos argumentos de Schekman basta pensar na seguinte situação: Se, por um lado, um pesquisador brasileiro A publicar um trabalho na eLife, ele (supostamente) terá sido revisado por alguns dos melhores cientistas da área e terá sido avaliado com base em critérios de qualidade puramente científicos; mas, aos olhos da sua instituição, da Capes e das agências de fomento brasileiras, será uma publicação de pouca importância porque o fator de impacto da eLife é baixo.

Por outro lado, um pesquisador brasileiro B que publicar um trabalho qualquer na Nature, Science, Cell ou outra revista de alto impacto será automaticamente visto como um grande cientista, não importa a qualidade ou a importância da sua pesquisa em questão (que pode ser maior, menor ou igual à da pesquisa publicada na eLife).

“Isso significa que o pesquisador B é melhor do que o A? Talvez sim, talvez não. Só mesmo uma análise individual, caso a caso, pode determinar isso com precisão. O grande problema é: Quem tem tempo para uma análise dessas?”, indaga.

A edição de 2013 do Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia, distribuído pelo Instituto Karolinska, uma universidade da Suécia, concedeu aos vencedores 8 milhões de coroas suecas (US$ 1,3 milhão). Bioquímico e pesquisador do Instituto de Medicina Howard Hughes (HHMI), da Universidade da Califórnia, em Berkeley, Schekman ganhou o prêmio juntamente com os cientistas norte-americano James Rothman e alemão Thomas Südhof pela descoberta dos mecanismos essenciais que executam e controlam o transporte de moléculas no interior das células. As descobertas do trio ajudaram a compreender melhor doenças como tétano e diabetes.

Slow Science
Em contraposição à fast Science, em 2010, surgiu na Alemanha o manifesto “slow science”, o qual ganhou projeção e adesão de boa parte do mundo científico no planeta e agora conta até com uma petição online, lançada na França. Os cientistas signatários da slow science entendem que o mundo da ciência sofre de uma doença grave, vítima da ideologia da competição selvagem e da produtividade a todo preço.

A praga cruza os campos científicos e as fronteiras nacionais. O resultado é o distanciamento crescente dos valores fundamentais da ciência: o rigor, a honestidade, a humildade diante do conhecimento, a busca paciente da verdade. A “mcdonaldização” da ciência produz cada vez mais artigos científicos, atingindo volumes muito além da capacidade de leitura e assimilação dos mais dedicados especialistas. Muitos trabalhos são publicados, engrossam as estatísticas oficiais e os currículos de seus autores, porém poucos são lidos e raros são, de fato, utilizados na construção da ciência.

Os defensores da slow science acreditam que é possível resistir à fast science. Defendem a possibilidade de reservar ao menos metade de seu tempo à atividade de pesquisa; pretendem se livrarem, vez por outra, das demandantes atividades de ensino e das atividades administrativas; querem privilegiar a qualidade e não a quantidade de publicações; e pleiteiam preservar algum tempo para os amigos, a família, o lazer e o ócio.

Em 2011, o movimento foi divulgado na rede social Facebook e, com isso, o Manifesto do grupo ganhou notoriedade. “Somos a favor da ciência acelerada do início do século XXI. Somos a favor do fluxo interminável de revistas com pareceristas anônimos e seu fator de impacto; gostamos de blogs de ciência e mídia, e entendemos as necessidades que relações públicas impõem. Somos a favor da crescente especialização e diversificação em todas as disciplinas. Queremos pesquisas que tragam saúde e prosperidade no futuro. Estamos todos neste barco juntos”, diz o documento.

No Manifesto, os mais de mil adeptos da Slow Science acredita que isto não basta. Eles pensam que a “ciência precisa de tempo para pensar, de tempo para ler e tempo para fracassar”. Afirmam que “a ciência nem sempre sabe onde ela se encontra neste exato momento, que a ciência se desenvolve de forma instável, por meio de movimentos bruscos e saltos imprevisíveis à frente e que, ao mesmo tempo, contudo, ela muitas vezes emerge lentamente, e para isso é preciso que haja estímulo e reconhecimento”.

No Manifesto, o Movimento Slow Science informa que “durante séculos, a slow science foi praticamentea única ciência concebível” e que, para eles, ela merece ser recuperada e protegida, que a sociedade deve dar aos cientistas o tempo de que eles necessitam, e os cientistas precisam ter calma.

“Sim, nós precisamos de tempo para pensar. Sim, nós precisamos de tempo para digerir. Sim, nós precisamos de tempo para nos desentender, sobretudo quando fomentamos o diálogo perdido entre as humanidades e as ciências naturais. Não, nem sempre conseguimos explicar a vocês o que é a nossa ciência, para o que ela servirá, simplesmente porque nós não sabemos ainda. A ciência precisa de tempo: – Tenham paciência conosco, enquanto pensamos”. A íntegra do artigo de Schekman, em inglês, pode ser lida aqui.

* Com informações da Agência Estado, Carta Capital, Jornal da Ciência (SBPC), Folha de S. Paulo

 
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